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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

SUPORTANDO AS DÚVIDAS


J. L. Palhano

Sentei-me para escrever este texto. Não sei bem o que sairá de minhas mãos; sei que tenho um título e palavras que precisam ser ditas. Que Deus me ajude!, pois não é fácil falar de assuntos difíceis (isso parece óbvio!), mas tais assuntos não podem permanecer nos silêncios de minhas ideias.

Quem nunca duvidou que atire a primeira pedra!, esse é o meu desafio inicial. Duvidar faz parte da natureza humana. Foi no terreno da dúvida que a serpente induziu Eva (a mãe da humanidade) a comer do fruto. Então será que desse fato eu apreendo que duvidar é humano e, além disso, arriscado? Herdamos do primeiro casal o pecado e também a dúvida. Cada dúvida é um risco que se apresenta em nossa mente. Mas não há como conter a fonte das dúvidas! Elas vêm espontaneamente, sutilmente, rastejam em nossas cabeças como se fossem cobras.

As dúvidas nunca são de origem demoníaca, mas podem ser inspiradas pelos demônios. Eles não sabem o que se passa em nossas mentes; podem apenas nos envenenar, assim como a serpente envenenou Eva. Toda e qualquer dúvida que nos ocorre a mente já estava em nós; em estado de latência, como uma semente esperando o momento oportuno de desabrochar.

Não tratarei aqui de "métodos de combate às dúvidas", não. Mas espero ajudar a mim (primeiramente) e a quem está lendo estas linhas a não se deixar dominar pelas dúvidas. Duvidar não é pecado; pecado é deixar-se levar pelas ondas do mar da incerteza. Quanto mais fundo se mergulha nessas águas, mais difícil é vir à tona. Espero ser útil de alguma forma, fazendo conhecido algum tipo de boia que funcione tanto nesse mar como na terra da certeza; que funcione para prevenir-nos de qualquer afogamento.

Alguém pode está perguntando: E Deus, seu escritor, onde ele está nesta história? Não pensem que deixarei Deus de lado. Não pretendendo de maneira alguma fazer isso. No momento adequado tudo estará no seu devido lugar. Mas preciso prosseguir em minha linha de raciocínio.

Gostaria de perguntar o seguinte: Você está disposto a fazer qualquer coisa para não perder a felicidade eterna? Se a resposta for "não" desista agora desta leitura. Se "sim", junte-se a mim e prossigamos até o findar das linhas. Minhas ideias serão simples. A simplicidade das pombas é necessária aqui.

Se queres absorver todo o conhecimento que há, desista. Primeiro, porque o conhecimento que o homem produz não é infinito, mas a cada dia, a cada hora, a cada minuto, a cada segundo novas informações são produzidas, e não há como a mente humana captar todo o conhecimento adquirido pela raça humana ao longo da história, ainda mais acrescentando o que ainda virá. Não é conhecimento infinito (repito), mas é mais que qualquer um possa suportar; a não ser que tivéssemos o poder de obter mais memória a cada segundo para nossas cabeças ou, então, se fossemos deuses.

Segundo, porque há o conhecimento divino. Deus é infinito, então, logicamente, seu conhecimento também é sem fim. É mais absurdo ainda querer saber tudo o que Deus sabe! Como uma mente finita poder conter uma que seja infinita? Não há como. Para ficar mais claro: é impossível! É como querer que todas as águas dos oceanos caibam no balde que você usar para lavar suas trouxas. Em milésimos de segundos (se não em menos tempo) o balde se romperia. É uma comparação falha, já que os oceanos têm os seus limites. Mas não deixa de exemplificar minha ideia.


Quer perder a "cabeça" assim tão rapidamente? Acho que não... Então abra mão disso; desista. Não vale a pena sacrificar a felicidade eterna por isso nem por outra coisa valerá!

De onde vem essa história de saber o que Deus sabe? Pois somente assim teríamos respostas para todos os questionamentos. Creio que há resposta para toda e qualquer dúvida e que ela habita na mente de Deus. Pense em sua dúvida mais tenebrosa; Deus sabe a resposta. Não é à-toa que devemos deixar tudo aquilo que nos aflige aos pés da cruz. As dúvidas são fardos, e Deus não quer que as carregamos por muito tempo. Seu desejo é dar-nos seu fardo leve. Mas nesse processo devemos fazer nossa parte, e é sobre isso que estou escrevendo aqui.

Espero, leitor, que não se tenha perdido em minhas digressões. Mas elas são necessárias. Talvez eu nem tenha cometido desvios (ainda!). Retomando: há um fato que não posso negar: a Bíblia, se lida sem a iluminação espiritual correta, é o livro ideal para se enveredar no ateísmo. Parece contraditório, mas faz todo o sentido. Só há duas consequências cabíveis à leitura da Palavra: ou acreditar cada vez mais em Deus ou acreditar cada vez menos nele, ao ponto de negar sua existência veementemente.

Sem a direção divina facilmente as dúvidas virão e as "contradições" saltaram aos nossos olhos. O ateísmo baterá na porta. Não quero dizer que com a direção divina as dúvidas não aparecerão. Na leitura há a ação divina, mas, primeiro, há a ação humana. É no homem que dormem as sementes das dúvidas. Mas que diferença faz ler a Bíblia com ou sem a ajuda do Espírito Santo?

Sem ele a leitura se torna uma eterna procura de fios de cabelos em ovos. Tornar-se mais fácil afogar-se. Se cremos que Deus não é Deus de dúvidas, mas, sim, Deus das certezas e respostas, Deus da Verdade (que seja o homem mentiroso e Deus sempre verdadeiro!), por que turbar-se ante aos trechos de aparente "contradição"? Não direi que a Bíblia é de fácil compreensão, mas é por isso que o Espírito é imprescindível nessa empreitada. Sem ele a compreensão é difícil, por isso as dúvidas e "contradições" nos pegam de surpresa. Precisamos sair do pedestal da nossa presunção intelectual e reconhecer que sem Deus não conseguimos. Lendo sem o Espírito, no máximo, seremos mais inteligentes, mas nunca sábios! Pois a sabedoria só vem do alto. Há aqui outro meio de exercitarmos nossa humildade. Com o Espírito há consolo, paz, gozo e palavras de vida eterna.

Não refutarei "contradições" nem responderei dúvidas neste texto. Mas de tudo que foi dito até aqui guarda ao menos isto: suporte todas as suas dúvidas em Cristo. Digo isso para o seu bem espiritual, para que as dúvidas não traguem sua felicidade eterna. Tenho minhas dúvidas em relação a alguns trechos da Bíblia, mas tenho aprendido a suportá-las. Muitas delas Deus já as dissipou.

Talvez nunca teremos respostas para certas "contradições". Nunca mesmo. Cheguei a um ponto não de conformismo mental, mas de mente submissa a Deus. Se em sua Palavra está escrito que as coisas ocultas são para ele, quem sou eu para querer sabê-las! Devemos submissão a Deus até nos pensamentos. Ainda se lembra da comparação do balde? Pois é... para suportar as águas do conhecimento infinito e livrar-se das dúvidas, nesta vida, teríamos que ser Deus.

E na outra vida? Será que Deus nos solucionará as dúvidas? Creio que não. Seremos transformados; não nos tornaremos deuses. Não absorveremos a mente infinita de Deus. Há coisas que só Deus sabe e só ele pode saber: mistérios, coisas ocultas. No dia em que soubermos tudo a respeito de Deus e as coisas divinas, ele deixará de ser o que é. Simplesmente impossível dos impossíveis! Suporte as dúvidas e abra mão da curiosidade. Será que na glória nos lembraremos de questionar Deus? Creio que não, também. Creio que ficaremos satisfeitos com os mistérios que forem revelados no Céu, mas sempre haverá coisas ocultas. O oleiro não deve explicações ao barro. Deus não tem que nos contar os detalhes... É fato: o que Deus quer que saibamos essencialmente está na sua Palavra; isso nos basta para vivermos neste mundo.

Se suas dúvidas não vêm diretamente da leitura da Bíblia, mas de outras leituras, só tenho um conselho: arranque seu cérebro. É melhor entrar na vida descerebrado do que perder-se com cérebro e tudo. Deixe tais livros de lado; pois como disse o Sábio sua feitura não tem limites. Não dê ouvidos ao silvo da serpente: Sereis como Deus, sabendo o bem e o mal; basta apenas uma mordida no fruto. Será que o exemplo de Eva não é o bastante?

Um comentário:

  1. Muito bom joemy, bem profunda dua explanação, vale a pena com certeza parar e ler...

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